Bicicletas, paradas ou em movimento, são
um tema freqüente no meu trabalho. Talvez
pela sua própria beleza, enquanto objeto,
pela plasticidade do movimento que ela proporciona
ou pela simpatia que tenho por este meio de
transporte urbano, limpo e mudo.
Segundo estimativas, a China teria cerca de
500 milhões de bicicletas, mais ou menos
1/3 das existentes no mundo.
Embora elas ainda sejam onipresentes em suas
cidades, níveis de crescimento econômico
impressionantes e conseqüente enriquecimento
de boa parcela de seus habitantes, tem causado
o preterimento deste veículo frente a
outros, mais confortáveis e velozes (e
também mais poluentes), como motocicletas
e automóveis.
Em Shanghai, por exemplo, os índices
de passageiros transportados por bicicletas
caíram de 70% em 1990 para um pouco mais
de 15% em 2004. Somado a isso, visando diminuir
o número crescente de acidentes envolvendo
ciclistas e automóveis, a prefeitura
daquela cidade iniciou, neste mesmo ano, um
processo de restrição ao acesso
destes veículos a diversas áreas
e avenidas.
Tendo como pano de fundo, esta magnífica
metrópole, que já foi conhecida
como a pérola do oriente, e que depois
de um longo sono desperta novamente para retomar
seu lugar no cenário mundial, eu procuro
mostrar que, apesar de alguns revezes, os pedais,
ainda estão profundamente enraizados
na cultura e no dia-a-dia deste país.
As bicicletas na China ainda são sinônimos
de transporte e trabalho.
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