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Toda fotografia é , basicamente, o resultado de três fatores: de um aparelho capaz de capturar imagens, o instrumento; de um olho que decida como e quando certos seres e objetos devam ser registrados, o instinto... e, por fim, de uma fração de tempo e espaço, que o acaso e/ou o esforço colocam diante do fotógrafo, o instante. Este momento sem duração definida, por vezes eterno como as montanhas, mas quase sempre fugaz, como um olhar de alguém que passa.

O instrumento e o instinto do artista são imprescindíveis, um captura o outro resolve o quadro e decide a hora, mas o instante....este, na nossa opinião, e a essência da fotografia, sua razão de ser e seu fim. Instantes, eternizados, nos tocam, nos alegram, nos ensinam ou simplesmente alimentam nossos olhos e saciam nossa sede por beleza.

A L’instant photographies se propõe a compartilhar com todos, este tipo de momentos, colhidos ao longo das últimas quatro décadas, em diversos países. Retratando diferentes culturas, lugares e épocas. Nos lembrando, frequentemente, como, os seres humanos, podem ser tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Esperamos que nossas imagens possam tocar, alegrar, ensinar ou simplesmente saciar seus olhos.

*Nossa marca e a conclusão obvia de nossa filosofia, e a língua de sua grafia uma singela homenagem aos grandes mestres desta vertente fotográfica.




Este site se propõe a ser um espaço para exposição de nosso acervo, bem como para divulgação de novos projetos. Desta forma desejamos atualizá-lo periodicamente, seja pela publicação de novos trabalhos ou pela apresentação de peças ainda não utilizadas do arquivo.

O site L’instant photographies está basicamente dividido em três seções.

Em coleções você ira encontrar imagens puras, sem nenhum tipo de intervenção digital que afete a integridade de seus quadros. São fotografias, em sua maioria inéditas, agrupadas em torno de temas, lugares ou épocas.

A seção photoDesign é um espaço mais livre, sem formatos pré-estabelecidos, mas sempre tendo a fotografia por base.

Enquanto em exposições, você poderá ver, ou rever, mostras que já foram apresentadas em diversos espaços.

Temos ainda as seções de contato e vendas, dedicadas àqueles que desejem adquirir cópias, direito de uso de nossas imagens, contratar nossos serviços ou simplesmente nos mandar comentários e sugestões.

 



Sou natural de Minas do Leão, Rio Grande do Sul, nascido no ano de 1953. Pode se dizer que a minha iniciação no mundo da fotografia se deu no consultório do meu pai, que ficava no Ed. Bragança, na Rua da Praia, centro de Porto Alegre. O Dr. Ataliba Alvares, era radiologista, e por volta de 1969, comecei a trabalhar com ele, revelando radiografias e abreugrafias num pequeno laboratório. Nas horas vagas costumávamos fazer algumas experiências, com imagens de folhas e conchas, e aos poucos, fui me aprofundando nas técnicas do quarto escuro e na arte fotográfica. Em 72 ganhei uma Cânon FTB, e as chaves da sala ao lado do consultório para abrir meu primeiro estúdio, “A IMAGEM” , período em que eu me especializei principalmente na produção de pôsteres em alto contraste. Neste mesmo ano, comecei a trabalhar para o Diário de Notícias, e com as imagens captadas para uma reportagem de capa intitulada “Motim no Presídio”, ganhei o primeiro prêmio de fotografia do Salão de Artes do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, um trabalho composto por fotografias minhas e diagramação do artista plástico Carlos Atanásio, o Caiado, intitulado “Campo e Cidade”, se classificou no mesmo Salão, para ser apresentado na Bienal de São Paulo.

Não sei se a causa foram as saídas para produção deste projeto, ou quem sabe as lembranças daquelas longas viagens de minha infância, em que, junto com meus pais e 8 irmãos lotávamos a Chevrolet Brasil da família, e viajávamos durante 7 dias, cruzando o país até Sergipe, para visitarmos familiares. O fato é que eu me sentia inquieto, vivia com sede por novos horizontes. Um desejo de ver e viver novos lugares e diferentes culturas. Por esta época, eu comecei uma relação de amor que atravessou décadas, com o litoral catarinense e seus habitantes. Tenho o prazer de ter feito parte do grupo, que em 1974, com o consentimento de seus donos, se estabeleceu nas terras de Dona Eugênia e Seu Dorvino Rosa, se tornando os primeiros “forasteiros” a desfrutarem daquela paradisíaca e ainda intocada Praia do Rosa , no interior do município de Imbituba, Santa Catarina. Mais tarde, esta praia se tornaria conhecida, no Brasil e no Mundo.

Em 1975, a idéia de ir mais longe, conhecer e fotografar o mundo, começou a se tornar mais forte dentro de mim. Então, em agosto daquele ano, botei a mochila nas costas, disse adeus para o laçador, e embarquei num avião da VARIG com destino ao Rio de Janeiro, lá me despedi dos meus pais e peguei um trem na Central rumo a São Paulo, de lá, em outro trem, desci para Santos, e de táxi cheguei ao porto onde embarquei em um navio do Loyd’s Brasileiro. Ainda me lembro da sensação de euforia, misturada com um pouco de ansiedade, enquanto nos afastávamos lentamente da costa brasileira. Eu ainda não tinha completado 22 anos, estava só, com apenas algumas economias no bolso e sem um roteiro pré-estabelecido. Mas estava realizando um sonho, quase uma necessidade, de botar o pé na estrada, e ver o mundo com minha câmera no pescoço. Depois de 13 dias no mar, chegamos a Valência, Espanha. Ainda passei, por cidades como Barcelona e Paris antes me estabelecer em Londres, onde estudei iluminação e revelação de fotografia a cores na London Polytechnic School. De lá colaborei, algumas vezes, com freelancer para o Jornal Zero Hora e a Revista Veja.

No verão europeu de 1976, me transferi para Estocolmo, atrás dos bem remunerados “summer jobs” suecos. Gostei do que vi e fui ficando...só não consegui me adaptar muito ao inverno escandinavo. Então em outubro de 1977, unindo o útil ao agradável, escapei de mais um inverno e dei inicio a mais uma jornada. De avião fui até a Grécia, onde descansei algum tempo, me preparando para uma grande aventura. A difícil e gratificante, trilha “overland”, para o oriente, também conhecida como trilha hippie, era um caminho mais ou menos repetido pelos viajantes, que cruzava Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão e Índia, em direção ao sul até as praias de Goa. É claro que haviam também ramificações para diferentes lugares, como o Nepal ou o sudoeste asiático. E foi atravessando a Turquia e Irã, de ônibus ou em caminhões 4x4, (em alguns trechos até mesmo a pé e a cavalo), que eu cheguei ao Afeganistão, fiquei algum tempo conhecendo aquele país e ainda cruzei o Paquistão para explorar a Índia, mais precisamente o estado do Rajastão, antes de retornar a Suécia, na primavera do ano seguinte. Em 1978 apresentei, na Kulturhuset de Estocolmo, a exposição “Afeganistão - Estocolmo”, e comecei a desenvolver alguns projetos com o museu etnográfico daquela cidade. No fim do ano fui para Índia dar inicio a um trabalho de documentação daquele pais, em parceria com o fotografo indiano Kim Morarji, com quem eu viajaria mais de 10.000 km no interior daquele país.

Sempre tendo a capital sueca como base, ainda visitaria muitos lugares, antes de retornar a Porto Alegre em 1981, onde eu iria atuar por alguns anos no mercado de moda e publicidade. Durante estes anos apresentei o documentário audiovisual “Índia”, a exposição “Theatro São Pedro”, sobre a reabertura deste verdadeiro templo da cultura de nossa capital, e a mostra “Tonico Alvares fotografa Rui” . A constituinte de 1988 me levou a Brasília e de volta ao foto-jornalismo. Mas em 1989, mais uma vez em Porto Alegre, retomei os trabalhos publicitários e projetos pessoais. Em 1992, apresentei a exposição “Paris 48 horas”. De 1993 a 1995 atuei exclusivamente no jornal Zero-Hora, de onde sai para mergulhar no projeto “Perfis Parlamentares”, da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, editando livros sobre Flores da Cunha, Getulio Vargas, Oswaldo Aranha e Assis Brasil. É bom lembrar ainda, que em 1994, a vida me deu meu maior prêmio, minha filha Laura. Ainda nos anos 1990 eu faria as exposições “Retratos de Cinema” e “Planeta Atlântida”.

Em 2000 comecei a trabalhar na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, onde estou até hoje. E paralelo a isto, como a antecipar tudo de bom que o novo milênio me traria, realizei um projeto que já algum tempo eu desejava executar, a mostra “Elegância Gaudéria”, uma espécie de pagamento de (como diz a canção) uma dívida de amor e gratidão com meu estado natal.

Nesta época o meu sobrinho Eduardo, começou a se interessar por fotografia, com uma empolgação contagiante. Passei a orienta-lo, ao mesmo tempo que, juntos, desvendávamos os segredos da era digital na fotografia. Decidimos então abrir meu baú, e digitalizar os arquivos, principalmente dos anos 1970.

Ele me convenceu que estas imagens deveriam ser compartilhadas com o público e que eu deveria ter uma estrutura mais organizada para o arquivamento e divulgação, destes e de novos projetos. Ao mesmo tempo, eu o incentivava a se dedicar ainda mais ao trabalho, pois acreditava que a fotografia dele em pouco tempo atingiria a qualidade necessária para contribuir com o projeto. Nascia ali, embora este nome fosse criado um pouco mais tarde, a L’instant photographies. Coroando as alegrias deste período, no inicio de 2003, conheci a Patrice, minha verdadeira cara-metade. No inicio de 2005 apresentei, no MARGS um trabalho, que apesar de difícil me trouxe bastante satisfação pessoal, a mostra “Paris-Índia”, e no ano seguinte a mesma exposição foi apresentada em Punta del Este, no Uruguai.

Este site é o mais recente capítulo desta história, espero que ele seja o primeiro passo de uma nova jornada, a mais recente nesta vida de tantas.




Nasci em Porto Alegre, em 1976. Não me lembro bem qual foi o dia em que, pela primeira vez, botei as mãos naquela Olympus Trip dos meus pais. Só sei que, a partir daí comecei, com ou sem ela, a recortar o espaço a minha volta, enquadrando cenas, congelando momentos…

Por um destes mistérios da vida esta paixão, ou melhor, essa aptidão, foi deixada de lado por um tempo. Por alguns anos trabalhei nos negócios do meu pai, comecei três faculdades, conclui uma (Direito - PUCRS), estagiei em órgãos públicos e em escritórios particulares. Mas um dia, no meio disso tudo, resolvi matar uma velha vontade, e fui estudar fotografia com o Luis Catafesto. Quase ao mesmo tempo, descobri que meu tio Tonico e eu tínhamos muito mais em comum do que a nossa paixão futebolística. Esse recomeço foi melhor do que o esperado. Porque meu “reencontro” com a fotografia, foi na verdade o encontro de mim mesmo.

Mas eu já estava pelo meio da casa dos vinte, e já havia tido mais recomeços que gostaria…então toda vez que eu sonhava acordado com as palavras “carreira fotográfica”, outras duas soavam como despertadores numa manhã de segunda-feira: “inexperiência” e “segurança”. Claro que eu era inexperiente, pra falar a verdade eu ainda nem sabia bem o que eu queria fazer com a câmera. Sendo um novato no ramo e não tendo herdado nenhum tino comercial , ficava claro que, dificilmente a fotografia poderia me dar a segurança que a carreira jurídica me daria. Decidi continuar com a faculdade e os estágios, me dedicando ao máximo à fotografia nas horas vagas (e nas nem tão vagas assim), é desta época meu curso no SENAC com o Élson Sempé. Em pouco tempo eu já estava fazendo todo tipo de trabalho fotográfico que aparecia, de cobertura de eventos a assistências para o Tonico em trabalhos publicitários. Juntos, começamos um trabalho de pesquisa e digitalização do acervo dele, o embrião do que hoje é, ou esta vindo a ser, a L’instant photographies. Também tive o prazer de participar da pesquisa e produção digital da exposição Paris-India.

A questão da inexperiência, estava aos poucos sendo resolvida. Já quanto a segurança…algumas questões surgiram. Primeiro, eu não podia mais contar com a minha, então praticamente concluída, faculdade de Direito. Já estava claro para mim que eu não tinha nascido pra coisa. Segundo, a minha paixão fotográfica se voltava cada vez mais, para uma vertente, digamos, não muito comercial, e terceiro, durante um trabalho fotográfico, como eu gosto de lembrar, conheci a mulher da minha vida e me casei…

Avaliando as questões mencionadas acima, somadas a um apelo irresistível ao meu espírito cigano, após a formatura aceitei uma proposta de trabalho em uma companhia de exportação, que me levaria a uma temporada na ásia, com incursões a outros continentes. O projeto L’instant sofreu uma desaceleração neste período, porém ele também se beneficiou com os vários insights que esta experiência nos trouxe e com a própria maturação decorrida deste tempo. Em abril de 2007 me desliguei da companhia me dedicar em tempo integral a L’instant photographies e a minha carreira. Em dezembro do mesmo, apresentei a minha primeira mostra, intitulada “Bicicletas & Ciclistas – Sudeste Asiático”.