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Estava sentindo uma sensação agradável, uma curiosidade ansiosa, esperando as primeiras provas do material colhido em Paris, em maio de 2003. O motivo é que eu tinha usado um equipamento novo, uma rangefinder 35mm panorâmica, desenvolvida pela Hasselblad, a “X-pan”. A câmera, uma novidade, que o amigo Zé Abujamra tinha me emprestado, mal foi testada antes de ser levada nesta viagem ao velho continente.

Mais tarde, quando vi as cópias, a satisfação foi imediata. Estava em frente à imagens do cotidiano parisiense, em formato panorâmico, com riqueza de detalhes e sem a menor distorção. Enfim, a nova câmera era digna da tradição de qualidade óptica da marca sueca. Mas tinha ainda algo mais, as imagens me traziam uma sensação de familiaridade.

Por uma estranha razão, elas me lembravam de algumas imagens do Rahjastão, dos anos 1970! Então decidi preparar painéis, contendo cenas dos dois países. Eu estava diante de mais um projeto sócio comparativo, mas ao contrario dos dois anteriores (Afeganistão-Estocolmo e Campo e Cidade), em que os painéis se formavam de pares de fotos com enquadramento e organização dos elementos cuidadosamente estudados para coincidirem, neste eu queria experimentar alguma coisa mais livre, menos “engessada”. A começar pelas imagens de Paris, que tinham um formato diferente, as da Índia não repetiriam um padrão pré-estabelecido. E as imagens seriam agrupadas principalmente por afinidades de idéias e objetos, e não iriam obedecer necessariamente a semelhanças geométricas.

O projeto foi desafiador, a distância temporal entre as capturas e o numero de alternativas que surgiam da decisão pelo formato mais livre, fazia com que cada peça demandasse um esforço único. O trabalho de garimpo das fotos da Índia, embora facilitado pelo projeto de digitalização de acervo que eu desenvolvia com o meu sobrinho e parceiro Eduardo, também exigiu tempo e atenção. Mas apesar de, ou também por tudo isso, o resultado foi compensador. A exposição foi apresentada no MARGS, no início de 2005 e no Uruguai, no ano seguinte. Para mim, acima de tudo, ela é mais uma prova de como é pequeno o planeta em que vivemos, como diferenças sociais e culturais muitas vezes não passam de uma fina camada de verniz sobre seres de idênticos sentimentos e que noções sobre o que é belo, correto ou bom muitas vezes não passam de meros pontos de vista.
 
 
   

 
   

 
   

 
     
     
   
     
     
 
 
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Se o seu monitor estiver calibrado, você deverá perceber todos os tons da tabela acima.
 
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