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Já fazia algum tempo que eu amadurecia a idéia
de desenvolver um trabalho voltado a minha terra.
Uma espécie de retrato do estado do Rio
Grande do Sul, seu povo e sua cultura. A oportunidade
surgiu no ano de 2000. Eu estava em Alegrete,
durante a semana farroupilha, pesquisando sobre
a vida de Oswaldo Aranha, para mais um volume
da série “Perfis Parlamentares”,
quando soube que haveria, nos próximos
dias, um grande encontro nativista no município
vizinho de Manoel Viana.
No dia da festa posso dizer que fui tocado, pelo
orgulho e alegria, com que mulheres e homens,
de todas as idades, trajavam seus vestidos e pilchas
domingueiras, para confraternizar e celebrar o
20 de setembro. Este esmero se estendia também
ao preparo dos cavalos, estes verdadeiros companheiros
do homem do campo. Logo percebi que fotografando
os detalhes, eu estaria registrando também,
de certa forma, o todo. Cada detalhe daquela indumentária,
as expressões no rosto daqueles que a trajavam
e até mesmo os cuidados dispensados a suas
montarias, eram o retrato do Rio Grande que a
algum tempo eu procurava.
Algum tempo depois, enquanto eu trabalhava na
montagem desta exposição, eu estava
escutando a Radio Gaúcha, quando o Ruy
Carlos Ostermann começou a entrevistar
o saudoso escritor Barbosa Lessa, um verdadeiro
ícone do tradicionalismo gaúcho.
Enquanto eles conversavam foi me dando uma vontade
de mostrar meu trabalho para aquela grande figura,
saber o que aquele senhor, que tanto havia se
dedicado pela valorização da cultura
Riograndense, teria a dizer desta minha singela
contribuição. Decidi então
ligar para produção do programa,
me identifiquei e expliquei que gostaria de entrar
em contato com o entrevistado...minutos depois,
fui surpreendido, pela resposta no ar. Ele me
disse que estava a disposição para
nos encontrarmos. Tratei então de encontra-lo
e mostrar o material para ele, ainda guardo com
carinho o entusiasmo e os elogios que ele endereçou
as imagens. Então eu sugeri, que poderíamos,
fazer um trabalho que mesclasse textos e fotografias,
e chegamos a conclusão que um calendário/agenda
seria uma boa idéia. Ele escolheu doze
imagens e alguns dias depois me entregou os textos,
e acho que nem é preciso falar da qualidade
deles.
Procurada por mim, a Assembléia Legislativa
RS se interessou pelo projeto, e chegou a montar
uma exposição durante a Feira do
Livro, mas infelizmente, a agenda não saiu
do papel. |